sábado, 30 de julho de 2011

Sorteio dá início à Copa: só preparativos renderão R$ 142 bi ao Brasil

A Copa do Mundo de 2014 começou na tarde deste sábado (30), na Marina da Glória, no Rio de Janeiro com o sorteio dos grupos das Eliminatórias das confederações continentais.

O sorteio das Eliminatórias foi transmitido ao vivo para 207 países e ele definiu os primeiros passos de 166 das 203 seleções inscritas para as 31 vagas para a Copa: 28 seleções dirão adeus ao sonho.

Daqui até julho de 2014, os preparativos para receber os jogos e o fluxo de turistas no país renderão à economia brasileira R$ 142,39 bilhões.

A estimativa faz parte de um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido do Sebrae. O objetivo foi tentar dimensionar os ganhos que pequenas empresas podem ter com o Mundial 2014.

O levantamento, realizado em duas etapas, mapeou na primeira fase as oportunidades de negócios que podem surgir para empresas da construção civil, tecnologia da informação, turismo e produção associada ao turismo. As receitas podem ser geradas por contratos com governos, comitê organizador, patrocinadores do evento e, é claro, com o atendimento aos turistas.

“Na construção civil, vamos ter oportunidades nas obras de infraestrutura e de transportes, como aeroportos e metrôs. No setor de turismo, atividades como artesanato e gastronomia vão ter destaque. E os serviços de telefonia e internet vão ser muito requisitados na área de tecnologia da informação”, enumera Luiz Barreto, presidente do Sebrae.

Segundo o estudo da FGV, um dos principais requisitos a serem cumpridos por fornecedores que quiserem abocanhar contratos da Copa é apresentar uma documentação completa, atualizada e regularizada. Além disso, ter uma gestão profissional e adotar práticas de sustentabilidade são fatores importantes, que podem ser considerados critérios eliminatórios ou classificatórios, a depender do contratante.

Nas áreas de tecnologia da informação e construção civil, muitas empresas estrangeiras já têm parcerias com grandes fornecedores nacionais – o que impede a entrada de outras empresas em negociações. “Quando as atividades a serem executadas são muito complexas, do ponto de vista técnico, a participação de micro e pequenas empresas também pode ser dificultada”, indica o estudo.

Mas há o outro lado da moeda. As pequenas empresas têm algumas vantagens em relação às demais nas licitações do governo. Para contratos de até R$ 80 mil, elas possuem exclusividade de venda. Há outros contratos de maior valor que também podem exigir a subcontratação, desde que o percentual máximo do trabalho a ser subcontratado não exceda a 30% do total.

Participar dessas licitações e de outros grandes contratos requer preparo, em especial nos quesitos mais burocráticos. Mas pode valer a pena. “A Copa possibilita o desenvolvimento empresarial” e outros “benefícios de longo prazo”, diz o estudo.

Ao trabalhar para grandes empresas, para o governo ou para turistas estrangeiros, a pequena empresa vai se deparar com clientes muito exigentes e criteriosos. “E o aumento do grau de exigência força um maior preparo das MPEs (micro e pequenas empesas), profissionalizando-as”, ressalta o estudo.

Turismo

Um setor que será particularmente estimulado é o turístico. A maioria dos estrangeiros que que visitará o Brasil durante a Copa será formada por homens europeus ou americanos, solteiros, com curso superior completo, que tenham entre 25 e 34 anos e possuam renda familiar superior a R$ 10 mil mensais. Cada um deles deve gastar, em média, R$ 11.412,50 no país, excluindo os custos com passagens aéreas.

O perfil dos visitantes foi traçado pelo Ministério do Turismo, em parceria com a FGV. Para mapear as características dos turistas que foram à última Copa do Mundo e subsidiar o planejamento para a Copa de 2014 no Brasil, o Ministério realizou na África do Sul uma pesquisa com 4.835 pessoas, durante os meses de junho e julho de 2010.

O estudo revela uma grande oportunidade para as empresas que trabalham no setor de turismo brasileiro: 80% dos torcedores que foram à África do Sul ainda não conhecem o Brasil. E a maioria deles (83%) costuma praticar o chamado “turismo adicional”, viajando durante 18,1 dias. Ou seja, o passeio não fica restrito à frequência nos jogos.

Para quem vem apenas com o objetivo de assistir às partidas, a permanência é mais curta: 15,3 dias. Os turistas visitam, em média, 3,8 cidades e 69% deles se hospeda em hotéis. Os maiores gastos são com alimentação e bebidas, hospedagem e transporte.

A marca Brasil

A Copa de 2014 será, além de tudo, uma oportunidade singular para promover a imagem do Brasil, segundo o consultor britânico Simon Anholt, que difundiu o conceito de marcas de países. De acordo com ele, a reputação da marca Brasil é fortíssima e crescente, mas há o perigo de que o país prometa demais e acabe por decepcionar.

Foi o caso da África do Sul, que, após sediar a Copa do Mundo, caiu vários pontos no ranking anual de marcas de nações criado por Anholt. Desde 2005, o britânico vem publicando um ranking que lista os países pelo peso com que sua marca é percebida pelos mercados. O ranking atual é liderado por Estados Unidos, seguido de Alemanha e França — o Brasil ocupa a 20ª posição.

Anholt se diz apaixonado pela marca Brasil, mas acha que ela não é apropriada para um país que deseja se projetar internacionalmente como uma potência econômica e política. Para ele, o mundo tem que aprender que o Brasil não é só atraente, simpático e caloroso.

“O desempenho do Brasil tem sido notável desde que comecei a compilar o ranking”, diz o consultor. “E vale dizer que rankings desse tipo são muito estáveis. As pessoas não mudam a imagem que têm de um país de um ano para o outro — isso acontece muito lentamente, de uma geração para outra. Mas o Brasil é uma exceção, vem subindo posições no ranking ano a ano.”

Na opinião de Anholt, a emergência do país como uma potência econômica, a partir do governo Lula (2003-2010), influencia a marca. “A reputação do Brasil é cada vez mais forte, em parte como consequência do crescimento do seu poder econômico, mas também como um reflexo do soft power, ou seja, fatores como a Copa, a Olimpíada e a reputação de Lula. A marca Brasil é popular. É colorida e atraente, e as pessoas admiram o estilo de vida brasileiro.”

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