domingo, 29 de abril de 2012

O esgoto

Por Zé Geraldo

O vazamento de várias gravações da PF, neste final de semana, provocou um mau cheiro insuportável no país. O que foi revelado antes já era repugnante, mas agora expõe, a céu aberto, todo o esgoto que subsidiou a atuação da oposição e da mídia durante todo o governo Lula e o início do governo Dilma.
O crime organizado, capitaneado pela trinca de bandidos Cachoeira/Demóstenes/Marconi e pela revista Veja, fabricou sucessivos escândalos com o objetivo de desestabilizar o governo e impedir os avanços sociais e econômicos do país.

As ações orquestradas pela quadrilha começavam com a arapongagem do Cachoeira, que trabalhava em sintonia com a Veja. O panfleto semanal publicava uma denúncia, muitas vezes sem qualquer prova ou indício, a Globo repercutia, Demóstenes e comparsas ecoavam no congresso e depois todos, hipócritas, arrotavam um discurso moralista, como paladinos da ética.
A máscara caiu. A revelação de que desviavam milhões de reais dos cofres públicos, principalmente no estado de Goiás, demonstra os verdadeiros interesses dos mafiosos.


Sem a Veja, Cachoeira teria chegado a tanto?

leitor do blog do Luis Nassif

Este é o resumo: o que era a organização criminosa de Cachoeira em 2004, quando se associou a Veja com a gravação do Waldomiro, e o que era agora, quando foi desbaratada.

E esta é a questão: sem a Veja, teria chegado a tanto ?

Se o sr. Civita provar que não existe correlação entre o conluio com a Veja e o crescimento desta máfia, parabéns! Não será fácil, em tempos de internet, como bem sabe o Kamel e o Bolina, perdão Molina.

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......Caso contrário, quedará demonstrada a contribuição da Veja em muito da riqueza e poder acumulados criminosamente pela quadrilha, e portanto a revista terá sido 'pelo menos' cúmplice de muitos dos seus crimes.

Por que 'pelo menos' ? Porque é difícil acreditar que a Veja e Cachoeira sejam pares, ou que Veja serviu a Carlinhos. Ora, a Veja é o porta-voz da elite econômica dominante no país, que manda e desmanda no Brasil há séculos, e Cachoeira/Demostenes/Perillo/etc, por mais longe que pareçam ter ido, nada mais são que bandidos periféricos com mania de grandeza.

O que interessa a esta turma que a Veja vocaliza não é espalhar caça-níqueis em cidades-satélite, e sim apossar-se de um país. Recuperar-se da incompetência de seus representantes políticos, PSDB/FHC/PFL e caterva, ao permitir a "esta gente da esquerda" assumir o poder central, mostrar e executar um outro projeto de Nação. E, uma vez que democraticamente, se tornou muito dificil agora, "não tem arrego, vamos derrubar este governo" nem que seja através de um golpe, e, se é preciso usar dos serviços de tão reles criminoso, "às favas os escrúpulos".

Portanto, se nesta história há um chefe de quadrilha ele não está em Goiás, e sim na marginal, em São Paulo. E se esta CPI não chegar até ele, não terá valido a pena.

Polícia Federal revela: R$ 100 mil por mês para jornalistas derrubarem Agnelo

E agora, Globo? Inquérito cita R$ 100 mil por mês para jornalistas derrubarem Agnelo
Num dos telefonemas gravados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, de fevereiro deste ano, o ex-sargento Dadá diz que o jornalista Mino Pedrosa (ex-assessor de Cachoeira) teria um contrato de R$ 100 mil por mês com Filippelli (vice-governador do Distrito Federal e principal cacique do PMDB-DF) :

Do Inquérito 3430 apenso 1. Página 202 do arquivo em PDF no link:
http://www.brasil247.com/videos-ipad/INQ_3430_Apenso_01_Volume_07.pdf
"Sombra" citado, remete ao jornalista Edson Sombra, que tem um blog de oposição ao governador petista.

A quadrilha de Cachoeira também queria trocar Agnelo pelo vice, conforme mostra o "viomundo".

A TV Globo andou investindo nesta linha de derrubar Agnelo.

Há 15 dias atrás, o "Blog da Helena" na Rede Brasil Atual, apontou que o "Jornal Nacional" noticiou de forma inversa aos fatos, e chegou a editar diálogos, transformando-os em monólogos para tirar o contexto da conversa que era favorável à inocência de Agnelo (aqui e aqui).

Agora, com o vazamento do inquérito na internet, merece destaque alguns trechos da conversa de Dadá com Cachoeira, após uma matéria na revista Veja atacando o governador Agnelo:

Após 25 minutos

Quadrilha de Cachoeira orientou Veja em matéria sobre governador do DF, revela Polícia Federal

Do R7
Grupo tentava abastecer a revista com informações de seu interesse

Em uma das gravações feitas pela Polícia Federal, à qual o R7 teve acesso, Cláudio Abreu , ex-diretor da Delta Construções, diz que deu orientações a um dos redatores-chefes da revista Veja, Policarpo Júnior, para produção de uma reportagem sobre Agnelo Queiroz (PT-DF). Dias antes, foi publicada uma denúncia sobre a atuação do governador na operação Caixa de Pandora, que derrubou o antecessor e rival José Arruda (ex-DEM).

Aparentemente, o grupo de Cachoeira tentava abastecer a revista com informações que interessavam a seus negócios. Entre o dia 29 e 30 de janeiro, membros do grupo discutem a repercussão da matéria e usam a história para pressionar o governo para o cumprimento de uma promessa não identificada pelo inquérito da PF. A íntegra do documento sobre o caso foi divulgado nesta sexta sexta-feira (27) pelo site Brasil 247 e traz parte das gravações feitas pela polícia na operação Monte Carlo, que começou em 2008 e investigou a quadrilha que explorava jogos ilegalmente chefiada por Cachoeira.

Uma das armas do grupo é o senador Demóstenes Torres (DEM), que deu declarações – e poderia dizer mais – à imprensa a respeito do caso.

Em conversa telefônica do dia 30 de janeiro, Dadá – Idalberto Matias de Araujo, o braço direito de Cachoeira – diz a um interlocutor identificado como Andrezinho que sabia da reportagem na Veja antes da publicação e que tinha pedido para o chefe “provocar para que o senador [Demóstenes Torres] fosse ouvido na matéria”.

No mesmo dia, Cachoeira pergunta a Dadá:

- Será que ele [Agnelo] cai?

Nesta degravação, a Polícia Federal especifica que eles comentam sobre a reportagem da Veja que trata do caso do governador do DF.

A estratégia dos dois era continuar “batendo” do governador até que ele resolvesse certo problema. Outra possibilidade que Dadá levanta é arquitetar a queda de Agnelo em três ou quatro meses para que o vice-governador, Tadeu FIlipelli, assumisse.

- Aí ele resolve nossa vida, né possível! (sic)

Em outra gravação, do mesmo dia, Cláudio Abreu comemora possivelmente as denúncias contra Agnelo. O ex-diretor da Delta comenta:

- Arrebentou hein, o bicho arrebentou, hein.

Carlinhos confirma.

- Foi bom demais, hein.

Abreu fala sobre atuação junto a PJ, provavelmente se referindo a Policarpo Junior, jornalista da Veja.

- Mas eu já tinha falado isso pro PJ lá: ‘PJ, vai nesse caminho bicho. Se o PJ for em cima do cara que eu falei, do ‘alcoforado’ (?), rapaz do céu, vai estourar trem pra c****.

Nos grampos efetuados pela PF, aparecem telefonemas de Cachoeira para o diretor da revista em Brasília. O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE), defendeu que o empresário Roberto Civita, proprietário da Editora Abril, seja convocado para depor na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) aberta no Congresso sobre o caso.

Em 30 de março, Reinaldo Azevedo, colunista da revista, saiu em defesa de Policarpo, dizendo que “vem sendo vítima de uma campanha asquerosa, movida por bandidos”. Segundo Azevedo, “o chefe da Sucursal da Veja em Brasília falou, sim, com Cachoeira e seus ‘auxiliares’ muitas vezes. Ele e quase todos os jornalistas investigativos de Brasília. Em todas elas, estava em busca de informações que resultaram em reportagens que, de fato, derrubaram muita gente. Ousaria dizer que muitos milhões, talvez bilhões, de dinheiro público deixaram de sumir pelo ralo da corrupção em razão do trabalho de Policarpo”.

sábado, 28 de abril de 2012

Mídia tenta abortar CPI

Por Altamiro Borges
Há uma intensa movimentação dos monopólios midiáticos para evitar que a CPI do Cachoeira apure também as relações do crime organizado com setores da imprensa. A Operação Monte Carlo da PF já confirmou a existência desta promíscua relação – só entre o editor da Veja, Policarpo Jr., e o mafioso Carlinhos Cachoeira, foram mais de 200 telefonemas, além de jantares sinistros. Neles muita coisa deve ter sido tramada para interferir nos rumos políticos do país e para beneficiar alguns negócios “privados”.
Apesar de todos os indícios, a mídia quer evitar que a CPI investigue a mídia! E ela se articula neste sentido. Na semana passada, o executivo Fábio Barbosa, atual presidente do Grupo Abril, que edita a Veja, e ex-presidente da federação dos banqueiros, esteve em Brasília. Ele visitou várias “autoridades” da República. Nos bastidores, circulou o boato de que o seu único intento foi impedir que o “capo” do império midiático, Roberto Civita, seja convocado por parlamentares para depor na CPI.
Ameaças de retaliação
Segundo reportagem do sítio Brasil 247, outros dois barões da mídia também já entraram em campo, num “pacto” para abortar qualquer risco de investigação. “João Roberto Marinho, da Rede Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ)”.
Por coincidência, numa notinha da coluna Painel da Folha, a jornalista Vera Magalhães confirmou a trama. Intitulado “Vacina”, o texto revela: “O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas”. Ou seja: os barões da mídia procuram “vacinas” para se proteger!
Editoriais e colunistas amedrontados
Uma leitura mais atenta dos editoriais e dos principais colunistas da chamada grande imprensa confirma o medo. Os mesmos que sempre vibraram com as CPIs, principalmente no governo Lula, agora falam que ela é “precipitada”, “revanchista”, “imprevisível”. Os mesmos que sempre bravatearam sobre o “jornalismo investigativo”, agora fazem de tudo para abortar qualquer investigação sobre as relações da mídia com o crime organizado. A CPI pode ser transformar num processo bastante educativo, elucidativo!

Resta à Veja fazer de Policarpo o seu bode expiatório

Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania
Se existia dúvida quanto à inclusão da revista Veja no rol dos que serão investigados pela CPI do Cachoeira, a partir do vazamento na internet do inquérito que foi enviado ao Congresso pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski, tal duvida virou pó.

Quem deu o furo foi o controverso site Brasil 247, que tem comprado briga com a Veja, com blogs progressistas, reacionários e que, entre seus colunistas, conta com figuras antagônicas como o petista José Dirceu e o tucano Artur Virgílio.
A importância do furo é tão grande e o conteúdo do inquérito tão explosivo que o Jornal Nacional citou a fonte, de onde eclodiu uma cachoeira de acusações contra o já exangue Demóstenes Torres e o governador Marconi Perillo, que mantém ar impoluto apesar da lama que já lhe chega à cintura.
E é aí que entra a revista Veja, apesar de, por enquanto, continuar de fora dos telejornais. A publicação aparece mal na fita, ou melhor, nas fitas das gravações da Polícia Federal que figuram no inquérito.
Em um dos trechos largamente divulgados na internet, Cachoeira e companhia aparecem decidindo em que seção da revista deverão ser publicadas informações que passaram ao editor Policarpo Jr., informações que a quadrilha pretendia que prejudicassem seus adversários nos “negócios”.
Como se não bastasse, a transcrição das escutas revela que as imagens do ex-ministro José Dirceu se encontrando com membros do governo federal em um hotel de Brasília que Veja publicou, foram fornecidas pelo esquema de Cachoeira.
E essas são só algumas das muitas garimpagens que estão sendo feitas por uma legião de internautas no material divulgado pelo 247, que ainda não inclui os contatos do editor da Veja com a quadrilha apesar de ele e a publicação aparecerem nos diálogos, o que sugere que ainda há material oculto.
Torna-se impossível, assim, que a CPI deixe de convocar, se não o dono da Veja, Roberto Civita, ao menos o seu editor Policarpo Jr. a fim de dar explicações, pois o que já vazou deixa claro que a mera relação fonte-repórter que a revista alega era muito mais do que admite.
Diante da confirmação de maior envolvimento da Veja no escândalo, parece lícito especular que, se a chapa esquentar, Policarpo pode receber uma proposta do patrão: assumir sozinho ônus dessa relação inexplicável que fez de Cachoeira uma espécie de ghost-editor da revista.
Esse tipo de proposta se baseia em pagamento de alta soma e apoio jurídico integral. Como o bode expiatório, supõe-se, não tem passagens pela polícia, torna-se réu primário, ou seja, não vai para a cadeia. E, depois de ultrapassado o desgaste do processo, sai rico dele.
A Veja sairia chamuscada, mas sem responsabilização criminal. É o que está acontecendo na Inglaterra, no caso Murdoch. Ele diz que “não sabia” de nada e empurra a culpa para os funcionários.
Só que não está funcionando. Mas isso é na Inglaterra e estamos no Brasil.

'Game over' para a Veja: Cachoeira dava ordens na revista

Zé Augusto


“Fim de jogo para a revista Veja. Ela já não tem mais como alegar que Carlinhos Cachoeira era só "fonte".

Em um diálogo gravado pela Polícia Federal (acima), mostra o bicheiro dando ordens ao chefe da sucursal da revista em Brasília, Policarpo Júnior.

O bicheiro define o quê, quando e como seria publicada uma nota de seu interesse na revista.

Em outro diálogo abaixo, Cachoeira e o gerente da Delta tenta infiltrar na FOLHA, igual conseguiram na revista Veja.

Do diálogo se conclui que Cachoeira "entrou dentro" da Veja, que fazia uma "interface dentro" da Veja, para não publicar coisas contrárias aos interesses da organização criminosa:

sexta-feira, 27 de abril de 2012

'Fala, amigo'

‘Fala, amigo’, diz Cachoeira a governador tucano Marconi Perillo

“Rapaz, faz festa e não chama os amigos?” , diz Governador tucano a Cachoeira

Do Estadão

As conversas captadas pela Polícia Federal revelam que o governador Marconi Perillo e Carlinhos Cachoeira trocavam mensagens frequentemente sobre negócios, por meio de interlocutores, e combinavam encontros, com a intermediação do senador Demóstenes Torres (sem partido- GO). Cachoeira chega a dizer que a reaproximação entre os dois políticos, no ano passado, se deu graças à sua atuação junto a Marconi Perillo.

A conversa ocorreu no dia seguinte a umjantar na casa do parlamentar, do qual Cachoeira e Perillo teriam participado.

Os áudios sugerem que o governador ligou para aliados do contraventor para sondar o que ele achou da conversa. Perillo ligou para Cachoeira no dia de seu aniversário, em 3 de maio de 2011, chamando-o de “liderança”.Em seguida, Cachoeira responde: “Fala, amigo, tudo bem? O tucano reage: “Rapaz, faz festa e não chama os amigos?”

Em entrevista ao Estado, este mês, Perillo admitiu uma relação “esporádica” e “respeitosa” com o contraventor.

Uma conversa entre Carlinhos Cachoeira e o ex-vereador de Goiânia Wladimir Garcez,gravada pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo, mostra que ambos trataram de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinadas a obras no Estado de Goiás.

Durante o diálogo, ocorrido em 26 de abril de 2011,Garcez diz a Cachoeira:”Eu num falei pro Cláudio ainda, mas… parece que… aquela hora que eu tava com você no carro o secretário de Finanças lá o…diretor financeiro que eu tinha ligado pra ele mais cedo, disse que o governador assinou o decreto, vai ser publicado, e que agora é rápido, aquele pagamento lá da… do BNDES entendeu? (sic)”.

O Cláudio citado no diálogo é Cláudio Abreu,ex-diretor da Delta Construções, preso anteontem durante operação do Ministério Público em Goiânia. Pouco antes de citar o BNDES, Garcez diz a Cachoeira que queria levá-lo à Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) no dia seguinte, antes que o contraventor fosse ao aeroporto,pois uma pessoa chamada Tiago lhe telefonara para informar que “agora sai o trem lá porque pegou o quadro lá tudo direitinho”.

O governo de Goiás, na gestão de Marconi Perillo(PSDB),tinha à disposição R$ 85 milhões do BNDES para obras-valor restante de um contrato de R$ 260 milhões firmado na gestão anterior de Alcides Rodrigues (PP). Perillo prometia usar os recursos em obras rodoviárias. A Delta era uma das empresas que tinham contrato com a Agetop.

Em29 de abril, três dias após o diálogo gravado pela Polícia Federal entre os contraventores, o governo de Goiás publicou dois decretos suplementando o orçamento da agência de obras, um deles no valor de R$ 17 milhões e outro no valor de R$ 1,4 milhão.

Duas semanas depois, um novo decreto suplementa o crédito da agência em R$69,5 milhões,com a informaçãode que era dinheiro do BNDES.

A Agetop, que é presidida por Jayme Rincón, tesoureiro da campanha de Perillo em 2010 e uma das figuras mais proeminentes da administração goiana, afirma ter pago à Delta entre 2011 e 2012 para conservação e construção de rodovias o montante de R$ 12,8 milhões. O Estado, porém, localizou no Portal da Transparência do governo estadual pagamentos de R$ 51,1 milhões à empresa somente no ano passado.

O governo não explicou a diferença nos valores, que pode estar no fato de que a Delta tem contratos em outras áreas.

Atualmente,só com a Agetopa Delta tem contratos que somam R$ 115 milhões. Desses, segundo o governo,R$ 64,5 milhões foram firmados na gestão Alcides Rodrigues, e R$ 51,5 milhões na atual.

Na conversa com Garcez flagrada pela PF, Cachoeira volta a citar Cláudio Abreu: “Você que tem de cobrar o Cláudio. Segunda- feira é que dia? Terça-feira tem de tá depositado esse trem”.

Garantias

WLADIMIR GARCEZ EX-VEREADOR DE GOIÂNIA “Eu num falei pro Cláudio ainda, mas parece que (…) o secretário de Finanças… o diretor financeiro disse que o governador assinou o decreto, e agora é rápido aquele pagamento lá do BNDES”..Estadao

Mortalidade infantil cai 47% em dez anos; no Nordeste, queda superou 50%

UOL
"A taxa de mortalidade total no país, que em 2000 era de 29,7‰, isto é, 29,7 óbitos de crianças menores de 1 ano para cada 1.000 nascidos vivos, teve uma redução de 47,6% na última década. Segundo novos números do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de mortalidade infantil em 2010 foi de 15,6‰.
O declínio mais acentuado foi observado no Nordeste (58,6%) e o menor, no Sul (33,5%), região que já apresentava níveis relativamente baixos de mortalidade infantil.

O alto índice da redução chama atenção e, de acordo com o IBGE, é explicado, em parte, pelo aumento do salário mínimo e a ampliação dos programas de transferência de renda, que ajudaram a ampliar a renda especialmente da parcela mais pobre da população. Isso acarretou em queda das desigualdades sociais e regionais, atuando em favor da diminuição da mortalidade infantil no país.
Apesar dos altos declínios, o Brasil ainda precisa reduzir ainda mais a taxa para se aproximar dos níveis de mortalidade infantil das regiões mais desenvolvidas do mundo, que fica em torno de 5 óbitos de crianças menores de 1 ano de idade para cada 1.000 nascidos vivos.”
Matéria Completa, ::Aqui::

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Globo teme “águas turvas” da CPI

Por Altamiro Borges

Em editorial hoje (26), o jornal O Globo se mostra bastante preocupado com o rumo das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), composta por senadores e deputados federais, que vai apurar as criminosas ligações do mafioso Carlinhos Cachoeira com o ex-demo Demóstenes Torres, o governador tucano Marconi Perillo e alguns veículos da mídia, entre outras figuras envolvidas.
O periódico da famiglia Marinho, sempre tão excitado com as várias CPIs montadas contra o governo Lula, explicita seu medo já no título: “As águas turvas de uma CPI imprevisível”. Para o jornal, “a CPI que agora começa em Brasília ameaça transformar-se em pororoca, engolindo nomes e reputações”. O Globo nunca se abateu com os assassinatos de reputações. Ele inclusive conta com vários jagunços travestidos de “calunistas”. O que houve? Por que tanta preocupação?
"Supostas intimidades" com a imprensa
No meio do texto, cheio de zigue-zagues, as razões do medo aparecem. Para o império midiático, Lula seria “o grande ator por trás desse processo”, que teria como objetivos atingir alguns dos seus oposicionistas mais raivosos, como Demóstenes Torres e Marconi Perillo, e “perturbar o julgamento do mensalão”. Pior ainda, apavora-se O Globo, o ex-presidente “também gostaria de identificar supostas intimidades entre a imprensa e os vilões da história”.
Supostas? E os mais de 200 telefonemas entre Carlinhos Cachoeira e o editor-chefe da revista Veja, Policarpo Jr. E as relações do mafioso com outros dois “importantes veículos de comunicação”, segundo recente artigo de Mônica Bergamo, da Folha? A mídia tem ou não culpa no cartório? Ela se associou ao crime organizado para interferir nos rumos políticos do país e para defender negócios privados e ilícitos?
A CPI do Cachoeira, se os parlamentares não se acovardarem diante do poder midiático, poderá apurar também estas “supostas intimidades”. É dessas “águas turvas” que a famiglia Marinho está com medo?

O tucano Perillo ruma para o abate

Por Altamiro Borges
O PSDB tem feito de tudo para livrar a cara do governador de Goiás, Marconi Perillo, acusado de estreitas relações com o mafioso Carlinhos Cachoeira. Até José Serra jurou em entrevista que daria “um voto de confiança” ao amigo – ele também queria Arruda, ex-governador do Distrito Federal preso por corrupção, com o seu “vice-careca”. Mas com a instalação da CPI, o tucano metido a “ético”, que até já sonhou em ser presidente da República, parece caminhar para o abate.

Num primeiro momento, Perillo negou ter transformado o governo estadual numa repartição da quadrilha, com a nomeação de vários aspones do mafioso para cargos públicos. Nesta semana, porém, ela admitiu uma “pequena” influência de Cachoeira em seu governo, segundo matéria de Josias de Souza, da Folha. A confissão pode significar o enterro definitivo do tucano.
 
Pacote com R$ 500 mil

Desde os primeiros vazamentos dos grampos da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, Marconi Perillo já ceifou a cabeça de três auxiliares próximos: sua chefe de gabinete, Eliane Gonçalves Pinheiro; o presidente do Detran-GO, Edvaldo Cardoso; e o procurador-geral do Estado, Ronald Bicca. A tentativa de sair do foco do escândalo, porém, não conteve a sangria.

As denúncias continuam a pipocar. Ontem, vários veículos noticiaram que um pacote recheado de dinheiro teria sido entregue em plena sede do governo goiano. Escutas da Polícia Federal levantam a suspeita de que a grana foi enviada pelo mafioso Carlinhos Cachoeira. O próprio “Jornal da Globo” especulou que o valor enviado ao Palácio das Esmeraldas teria sido de R$ 500 mil.

A aparente tranquilidade do tucano

Diante da cachoeira de denúncias, o governador Marconi Perillo ainda tenta aparentar tranquilidade. “Eu não sou investigado. Só há algumas citações irresponsáveis em relação ao meu nome... O governo do Estado não tem envolvimento em nenhuma destas investigações da Operação Monte Carlo”. Ele também jura contar com a “absoluta solidariedade” do seu partido, o PSDB. Será?

Até Josias de Souza, o blogueiro da Folha, parece não acreditar na conversa fiada do governador tucano. Em tom irônico, ele conclui seu artigo: “Como se vê, Marconi Perillo defende-se com a segurança retórica de alguém que, tendo caído de um edifício de dez andares, solta fogos ao passar pelo sétimo pavimento: Até aqui, tudo bem”.

Globo, Abril e Folha se unem contra CPI da mídia


Principais grupos de comunicação fecham pacto de não agressão e transmitem ao Planalto a mensagem de que pretendem retaliar o governo se houver qualquer convocação de jornalistas ou de empresários do setor; porta-voz do grupo na comissão é o deputado Miro Teixeira; na Inglaterra, um país livre, o magnata Rupert Murdoch depôs ontem


Há exatamente uma semana, o 247 revelou com exclusividade que o executivo Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e ex-presidente da Febraban, foi a Brasília com uma missão: impedir a convocação do chefe Roberto Civita pela CPI sobre as atividades de Carlos Cachoeira. Jeitoso e muito querido em Brasília, Barbosa foi bem-sucedido, até agora. Dos mais de 170 requerimentos já apresentados, não constam o nome de Civita nem do jornalista Policarpo Júnior, ponto de ligação entre a revista Veja e o contraventor Carlos Cachoeira. O silêncio do PT em relação ao tema também impressiona.

Surgem, aos poucos, novas informações sobre o engavetamento da chamada “CPI da Veja” ou “CPI da mídia”. João Roberto Marinho, da Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Na edição de hoje da Folha, há até uma nota emblemática na coluna Painel, da jornalista Vera Magalhães. Chama-se “Vacina” e diz o que segue abaixo:
“O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas. O PT tenta levar parte da mídia para o foco da investigação”.

O argumento de Miro Teixeira é o de que jornalistas não poderão ser forçados a quebrar o sigilo da fonte, uma garantia constitucional. Ocorre que este sigilo já foi quebrado pelas investigações da Polícia Federal, que revelaram mais de 200 ligações entre Policarpo Júnior e Carlos Cachoeira. Além disso, vários países discutem se o sigilo da fonte pode ser usado como biombo para a proteção de crimes, como a realização de grampos ilegais.

Inglaterra, um país livre

Pessoas que acompanham o caso de perto estão convencidas de que Civita e Policarpo só serão convocados se algum veículo da mídia tradicional decidir publicar detalhes do relacionamento entre Veja e Cachoeira. Avalia-se, nos grandes veículos, que a chamada blogosfera ainda não tem força suficiente para mover a opinião pública e pressionar os parlamentares. Talvez seja verdade, mas, dias atrás, a hashtag #vejabandida se tornou o assunto mais comentado do Twitter no mundo.

Um indício do pacto de não agressão diz respeito à forma como veículos tradicionais de comunicação noticiaram nesta manhã o depoimento de Rupert Murdoch, no parlamento inglês. Sim, Murdoch foi forçado a depor numa CPI na Inglaterra – não na Venezuela – para se explicar sobre a prática de grampos ilegais publicados pelo jornal News of the World. Nenhum jornalista, nem mesmo funcionário de Murdoch, levantou argumentos de um possível cerceamento à liberdade de expressão. Afinal, como todos sabem, a Inglaterra é um país livre.

O Brasil se vê hoje diante de uma encruzilhada: ou opta pela liberdade ou se submete ao coronelismo midiático.”

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Propina embrulhada em jornal

Relatório da PF mostra que Cachoeira pagou propina embrulhada em jornal para deputado tucano


Deputado Carlos Lereia (PSDB-GO)

Interceptações telefônicas da PF flagraram diálogos entre Cachoeira e o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO)
 
Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

O contraventor Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, mandou entregar propina "embrulhada em jornal" para o deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). A informação consta de relatório da PF, sob guarda do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento esmiuça as relações próximas de Cachoeira com o parlamentar.
 
Os dados são apontados no capítulo intitulado "transações financeiras" envolvendo o contraventor e o deputado tucano. A PF assinala que Cachoeira manda Geovani (Pereira da Silva), seu contador, "passar dinheiro para o deputado Lereia, não sendo possível identificar a que título". Interceptações telefônicas da PF flagraram diálogos entre Cachoeira e Leréia.
Também caiu no grampo o contador Geovani,, que está foragido. O contraventor o chama de Geo e pede a ele que providencie pagamentos em dinheiro vivo para Leréia.

Numa dessas conversas, a 1.ª de agosto de 2011, às 14h34, Cachoeira recomenda a Geovani a entrega de R$ 20 mil em dinheiro para Leréia "embrulhados em jornal". Uma assessora do contraventor participa da conversa e informa que o dinheiro foi colocado em um "envelope quadrado".

A PF cita ainda o deputado Stepan Nercessian (PPS-RJ) como outro suposto beneficiário de propinas de Cachoeira. Em uma escuta, de 17 de junho de 2011, às 14h53 - a ligação durou um minuto e 41 segundos - Stepan pergunta a Leréia se "entregou a carta que ele mandou".

Delegado Protógenes: "Revista Veja é organização criminosa"




terça-feira, 24 de abril de 2012

E agora Aécio?

Aécio Neves não começou bem esta semana. Primeiro foi revelado que ele arranjou uma boquinha pra uma prima do Cachoeira. Depois a notícia de que o deputado estadual Rogério Correia (PT/MG) ganhou na justiça direito de resposta, em relação às ofensas que recebeu do jornal demotucano "Estado de Minas", sobre a Lista de Furnas.

A lista foi periciada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Federal, que deu parecer pela sua autenticidade.

Veja aqui todos os beneficiários do esquema de caixa dois tucano.

Cáritas de Paracatu e INCRA avaliam resultados de trabalho em assentamentos

A Cáritas Diocesana de Paracatu realizou nos dias 13 e 14 de abril de 2012 a Oficina de avaliação final do 1º ano das atividades da ATES – Assessoria Técnica Social e Ambiental em Unaí.

Esta assessoria vem sendo desenvolvida pela Cáritas Diocesana de Paracatu junto a 10 áreas de assentamentos em Unaí. O contrato assinado com o INCRA – Superintendência Regional-28/Distrito Federal e Entorno, foi originado por uma Chamada Pública do ano de 2010, contemplando19 metas. Para sua execução, houve a contratação de uma equipe multidisciplinar composta por 10 profissionais de diferentes áreas de formação, tais como: Agronomia, Engenharia Ambiental, Medicina Veterinária, Serviço Social e Técnicas Agropecuárias.

O objetivo da oficina foi avaliar o impacto da intervenção da Ates nos assentamentos do Núcleo Operacional e sua convergência com o desenvolvimento local. O evento possibilitou também o ajuste das metas e o levantamento de propostas para possível continuidade da Ates junto aos 10 assentamentos de reforma agrária.

Nesta oficina houve a participação de assentados e assentadas da reforma agrária, equipe técnica, representantes do INCRA/Superintendência Regional - 28 e INCRA/Sede Nacional, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Unaí, Polícia Ambiental e Polícia Militar, IEF – Instituto Estadual de Florestas, Associação da Mulher Trabalhadora e Banco do Brasil.

Na oportunidade, houve exposições e debates sobre as seguintes temáticas: Fomento Ambiental e Fomento Social para fechamento de área de Preservação Permanente e Reserva Legal, Licença Ambiental, Bolsa Verde, créditos, renegociações de dívidas junto ao Banco do Brasil, apresentação dos 10 Planos de Recuperação de Assentamentos (PRA’s) e consolidação de propostas para a prorrogação do Contrato com a Cáritas Diocesana de Paracatu.

A presença dos representantes do INCRA e parceiros locais permitiu o esclarecimento de dúvidas e reafirmou compromissos que serão encaminhados e resolvidos a partir da continuidade da ATES.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

De Lula a Dilma, os mesmos 5% do contra

Ricardo Kotscho

O número que mais me chamou a atenção no Datafolha divulgado domingo, em que Dilma bate mais um recorde de aprovação e Lula aparece como o favorito para as eleições de 2014, foi o índice de "ruim e péssimo" registrado pela pesquisa: 5%.

Pode chover ou fazer sol, a bolsa e o dólar subirem ou caírem, a economia ir bem ou mal, o País melhorar ou piorar, que este contingente de insatisfeitos com o governo não muda de tamanho.
Dentro da margem de erro, um ponto a mais ou a menos, a turma do contra permanece imutável há anos. Podem até mudar seus integrantes, mas o contingente é o mesmo.

Desde o segundo mandato de Lula, me chama a atenção a permanência deste índice de 5% de "ruim e péssimo", ou seja, dos que desaprovam o governo.

Na primeira vez em que escrevi sobre este assunto, já faz algum tempo, por mera curiosidade jornalística, sugeri que se fizesse uma pesquisa sobre o perfil destes insatisfeitos, saber as razões deles, entender o pensamento de quem acha tudo ruim ou péssimo.

Para quê... Por ignorância ou má-fé, ou as duas coisas juntas, alguns blogueiros neuróticos anônimos me acusaram de "estar chamando a polícia para identificar os que eram contra o governo e apresentá-los à execração pública como os nazistas fizeram com os judeus", absurdos deste tipo.

Confundiram, propositadamente, pesquisa de opinião, que pode traçar o perfil dos entrevistados (por classe social, idade, região), com investigação policial para "identificar, perseguir e banir" os que não apoiavam o governo.

Açulados por estes blogueiros, muitos seguidores das seitas internéticas invadiram o Balaio na época repetindo as mesmas sandices.

A pesquisa até hoje não foi feita por nenhum instituto, mas estou desconfiado de que há uma relação direta entre estes 5% e as pessoas que se informam apenas pelo que lêem nos principais jornais nacionais e nas maiores revistas do País.

Fiz umas contas e cheguei à conclusão de que o contingente é mais ou menos o mesmo. Os 5% do contra representam uns 10 milhões de brasileiros. Dez milhões é menos do que o total de exemplares destes jornais e revistas somados que circulam durante toda uma semana.

Como a imprensa não fala da imprensa, e parece haver um pacto entre os donos da grande mídia reunidos no Instituto Millenium, raramente um veículo critica ou sequer cita o outro.

O silêncio foi quebrado esta semana pela revista "Época", que citou nominalmente a sua concorrente Veja, em meio à matéria ""Fui afastado pela negociata de uma empreiteira e um contraventor", uma entrevista com o ex-diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, demitido durante a crise que levou à queda do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, no ano passado.

Trecho da reportagem de Murilo Ramos:

"O afastamento de Pagot, bombardeado por acusações de cobrar propinas, foi comemorado pela turma de Cachoeira. Quase dois meses depois de ter ouvido de Cachoeira que a imprensa recebera material contra a diretoria do Dnit, Abreu (diretor da empreiteira Delta) telefonou para o bicheiro. Em tom de galhofa, diz durante a conversa que a presidente Dilma Rousseff ordenara ao então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, afastar todos os citados em reportagem publicada pela revista Veja. Naquele momento, Abreu e Cachoeira dividiram elogios entre eles e enalteceram a força de sua associação".

Associação para quê? Entre outras coisas, certamente, para plantar notícias na imprensa. De fato, foi uma reportagem da revista Veja que detonou a cúpula do Ministério dos Transportes.
Em sua defesa prévia, a maior revista semanal do País, também na última edição, publica uma espécie de "vacina" sobre as denúncias de Pagot. No meio da matéria "O primeiro round", que trata da CPI do Cachoeira, a revista escreve:

"Na semana passada, Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit demitido no bojo do episódio que levou à queda do ministro Alfredo Nascimento, se disse vítima de uma trama que teria sido tecida contra ele exatamente por ter oferecido obstáculos aos interesses da Delta no órgão. Estranha linha de defedsa. Foi na gestão de Pagot que a Delta mais do que dobrou seu faturamento em contratos com o Dnit, alcançando 658 milhões de reais em 2010".

Como escrevi aqui na segunda-feira passada, a imprensa está se empenhando em transformar a CPI do Cachoeira na CPI da Delta, trocando o protagonismo de Demóstenes Torres e seu amigo Cachoeira por Fernando Cavendish, dono da Delta.

Alguns leitores discordaram da minha análise e sugeriram que a CPI do Cachoeira, já chamada "do submundo" ou de "todo mundo", seja também transformada na CPI da Mídia, o distinto quarto poder que pode condenar livremente todos os outros e se acha inimputável como os índios e as crianças.

Afinal, se a presidente da Associação Nacional dos Jornais, Judith Brito, já afirmou publicamente que a imprensa foi obrigada a assumir o papel de oposição ao governo em razão da fragilidade dos partidos, seria bom investigar se, além de divulgar fatos, a imprensa não estaria também criando os próprios fatos, em defesa de interesses políticos e econômicos de uns em detrimento de outros.

Concordo neste ponto com os colunistas da chamada grande imprensa: agora tem que investigar todo mundo, inclusive os bravos homens do "jornalismo investigativo" e seus honoráveis veículos.

Revista Veja e as ações ilegais de Cachoeira


Por Raoni Scandiuzzi, na Rede Brasil Atual:

Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista Veja é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira.

O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior.

Este mês, Veja divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue desta maneira.

Perguntado se a convocação de representantes do Grupo Abril não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades de Veja tem conexão com o crime organizado, e não com o jornalismo. Para o parlamentar, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira.

TV Globo defende lucro dos bancos

Por Antonio Melo

Enquanto o país inteiro se alegra com a redução nas taxas de juros, o Jornal Nacional toma as dores dos únicos que lamentam essa queda, bancos e seus acionistas, especialmente o Bradesco, principal anunciante do telejornal da Globo.

Na reportagem que abriu a edição de ontem, o JN buscou aterrorizar a população com uma ameaça sinistra. Segundo a reportagem, a queda dos juros vai levar o governo a mexer na caderneta de poupança, o que seria, na opinião editorializada da reportagem, a única forma de manter atrativos os rendimentos da renda fixa.

Para isso procurou opinião de dois especialistas favoráveis à tese, um economista da FGV e o indefectível ex-ministro Maílson da Nóbrega.

Para dar um ar de isenção, a reportagem coloca um depoimento da presidenta Dilma espremido entre os dois especialistas. Mas, repare as palavras de Dilma, que deveriam derrubar a tese da matéria de uma vez por todas:

Dilma: “O Brasil tem de buscar um patamar de juros similar ao praticado internacionalmente. Tecnicamente, fica muito difícil o Brasil diante do que ocorre no mundo justificar spreads tão elevados. Eu acredito que isso será um processo de amadurecimento do país, que vai nos encaminhar progressivamente para nós termos juros mais condizentes com a nossa realidade”, declarou a presidente.

Em seguida a Dilma, entra Maílson, um eterno devedor das Organizações Globo, pois só foi efetivado ministro no governo do presidente Sarney, porque Roberto Marinho aprovou, como Maílson mesmo reconhece:

sábado, 21 de abril de 2012

Das Gerais: Dércio Marques

O blog inicia hoje, uma série de postagens com cantadores das Minas Gerais. Alguns conhecidos, outros nem tanto. Mas todos revelam a beleza das poesias que brotam das serras das Gerais. Toda semana uma nova coletânea. Participe, inclua sua sugestão no espaço reservado para comentários.

O primeiro é Dércio Marques, um violeiro, cantor e compositor nascido em Minas Gerais e que tem em sua irmã Dorothy uma das principais parceiras de show.

Seu primeiro disco "Terra, vento, caminho", foi lançado em 1977, pelo selo Marcus Pereira, obra em que interpretava canções de Atahualpa Yupanqui, do célebre violeiro Elomar e de sua própria autoria.

Em 1979, lançou pelo selo Copacabana o disco "Canto forte-Coro da primavera", do qual participaram músicos como Oswaldinho do Acordeom e Heraldo, ex-integrante do Quarteto Novo.

Ainda dentre seus parceiros ou companheiros de shows destacam-se João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Luis Di França, Pereira da Viola e Diana Pequeno.


Canto do Ipê Amarelo




Tributo






Riacho de Areia



Outros vídeos:











sexta-feira, 20 de abril de 2012

A batalha estratégica dos juros

Por Pedro Pomar, no blog Escrevinhador:

Finalmente, um enfrentamento! Aquilo que o escritor Luis Fernando Veríssimo, apoiador de Lula, pediu em vão durante o primeiro mandato do presidente operário, evocando a rebeldia de Ghandi ao apanhar um bocado de sal (objeto de monopólio da Grã-Bretanha) perante os colonizadores ingleses: “um pequeno gesto”…
Como é óbvio, estamos falando da decisão do governo Dilma Rousseff de forçar indiretamente a queda dos juros no mercado financeiro, por meio da pressão exercida pelo Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF). Os dois grandes bancos estatais reduziram os juros que eles próprios cobravam, aumentaram o volume de dinheiro disponível para empréstimos, e com isso obrigaram os grandes bancos privados — Santander, Bradesco, HSBC, Itaú-Unibanco — a também baixar as taxas cobradas de empresas e de pessoas físicas.

Pequeno, tímido passo? Nem tanto. Combinada com a decisão do Banco Central (BC) de baixar gradualmente a taxa Selic, uma das mais altas do mundo, essa medida do governo tende a aquecer a economia, na contramão da crise mundial, e é indispensável (embora não suficiente) para fazer o país crescer com distribuição de renda e desenvolvimento social. Portanto, “um absurdo”… na opinião dos banqueiros privados, que tugiram e mugiram, protestando contra a ação do BB e da CEF.

O governo se manteve firme, não recuou. Nas últimas décadas o setor financeiro enriqueceu como nunca, e sua arrogância talvez explique o fato de que uma parte dos formadores de opinião alojados na mídia gorda (como as jornalistas Miriam Leitão e Eliane Cantanhede, por exemplo) deu apoio à medida patrocinada pelo Planalto. O discurso dos bancos já não engana ninguém; o spread, ou taxa de risco, é escandalosamente alto no Brasil; além disso, o setor financeiro cobra dos correntistas tarifas imorais.

A exitosa ação governamental comprovou a importância de o Estado brasileiro possuir grandes bancos públicos, poderosos instrumentos de crédito e de política econômica. Isso já se tornara evidente na crise de 2008, quando o governo usou os bancos estatais, inclusive o BNDES, para garantir o financiamento da economia, destravando-a, uma vez que os bancos privados estavam retendo o crédito e assim impedindo o giro da economia.
 

Bob Fernandes: A CPMI do Cachoeira é a chance de passar o Brasil a limpo

quarta-feira, 18 de abril de 2012

‘VEJA’: COMO TRABALHA; A QUEM SERVE

da Carta Maior

O dispositivo midiático demotucano tem martelado em tom de condenação sumária que a construtora Delta — suspeita de ser uma espécie de caixa de compensação bancária do esquema Cachoeira/Demóstenes – é a empresa com o maior volume de contratos junto ao PAC. Esse traço evidenciaria, sugere o tom do noticiário, um comprometimento automático do governo e do PT com a quadrilha manejada por Cachoeira. Mais de 80% das licitações vencidas pela Delta são de obras sob a responsabilidade do Dnit, o Depto Nacional de Infraestrutura de Transportes.

Dos R$ 862,4 milhões pagos à construtora em 2011, 90% vieram do órgão. Nesta 3ª feira, uma pequena nota escondida num canto de página da Folha, baseada em escutas da PF mostra que: a) o Dnit estava insatisfeito com a qualidade e irregularidades das obras tocadas pela Delta; b) desde 2010 o Dnit iniciou uma série de processos que poderiam levar a perdas de contratos pela construtora, ademais de submetê-la a investigações da PF e do Tribunal de Contas; c) o agravamento dos atritos levou a Delta a acionar Cachoeira e seu grupo, que passaram a trabalhar pela queda do então diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, uma indicação do PR, o Partido Republicano; d) em gravações feitas pela PF no primeiro semestre de 2011, Cachoeira diz a Claudio Abreu, diretor da Delta, que já estava fornecendo informações sobre irregularidades no Dnit para a revista “Veja”; e) a presidente Dilma Rousseff pediu o afastamento de Pagot no dia 2 de junho, depois que ‘denúncias’ contra o Dnit foram publicadas pela ‘Veja’, envolvendo suposto esquema de propinas que beneficiariam o PR; f) Pagot alegou inocência e resistiu até o dia 26 de julho, quando entregou a carta de demissão, em meio a uma crise que já havia derrubado toda a cúpula do ministério dos Transportes (incluindo o ministro) ligada ao PR ; g) o ex-presidente Lula tentou evitar sua queda, não por acreditar em querubins, mas preocupado com a rendição do governo ao denuncismo gerado por disputas entre quadrilhas consorciadas a órgãos de imprensa. Lula estava certo.

(Carta Maior; 5ª feira/19/04/2012)

PS do Viomundo: Sabemos, de boa fonte, que existem áudios capazes de reproduzir toda a armação contra Pagot, que cobrava a Delta a partir de seu cargo no Dnit. Antes, durante e depois. Independentemente de envolvimento dele ou não com o pagamento ou recebimento de propinas, seria necessário uma reconstituição completa, inclusive com a vibração final, de baixo calão, de Carlinhos Cachoeira. O curioso é que certa mídia acredita que conseguirá simplesmente engavetar o assunto. O momento vivido nas redações é surreal: é como se não houvesse uma multidão, lá fora, de olho. É o boicote do Diretas Já na Globo, tudo de novo, em pleno 2012! A diferença é que amanhã será instalada uma CPI e as versões cozidas às pressas serão eventualmente desmentidas.

#VejaBandida explode na internet

Por Altamiro Borges

Roberto Civita, o dono da Editora Abril, que publica o detrito da Veja, deve estar apavorado. A hashtag #VejaBandida ficou entre os temas mais comentados no twitter mundial. No Brasil, ela ostentou durante vários minutos o primeiro lugar a partir das 20 horas. Os ativistas digitais deram um show, mostrando os podres da publicação mais direitista do país, agora escancarados com as revelações da Polícia Federal sobre as suas relações com o mafioso Carlinhos Cachoeira.



Os grampos legais da Operação Monte Carlo revelaram que o editor-chefe da Veja, Policarpo Jr., fez mais de 200 ligações telefônicas para o mafioso. Nelas, eles combinaram como produzir "assassinatos de reputações" e como interferir nos rumos políticos do Brasil. Pior do que o mafioso Rupert Murdoch, o imperador da mídia mundial que corrompeu policiais e políticos no Reino Unido, a publicação da famiglia Civita manteve intimas relações com o crime organizado.

CPI deve convocar Bob Civita

Na rede mundial de computadores, os internautas deram o troco contra a revista mafiosa. Antes mesmo do horário combinado para o protesto virtual contra a Veja, a hashtag já estava no quinto-lugar entre os assuntos mais comentados da internet - no Trending Topics. Depois das 20 horas, ele ficou em primeiro lugar na lista nacional e foi parar entre os dez mais dos TT´s mundiais.

Os deputados federais e senadores que finalmente aprovaram a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), mista, sobre os crimes da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, deveriam ficar atentos aos protestos na internet. Não dá para abafar as denúncias que envolvem a revista Veja. Qualquer tentativa de livrar a cara de Bob Civita será repudiada pelos setores organizados da sociedade brasileira, que não aceitam mais as manipulações da ditadura midiática.

Demóstenes e a tragédia da Veja


Por Rogério Tomaz Jr., no blog Conexão Brasília-Maranhão:

A última edição da Veja é uma metáfora ilustrada ao ato do sujeito que diz, no fundo do elevador:

- Não fui eu!

O sorriso amarelo e o odor vindo da sua direção o denunciam flagrantemente, mas ele se apressa em negar o fato evidente.

O odor sulfuroso de Veja foi causado pela dupla não sertaneja Demóstenes e Policarpo.
Ao pinçar uma frase – nas mais de 300 horas de gravações – de uma conversa telefônica do contraventor Carlinhos Cachoeira em que este “isenta” o editor Policarpo Jr., a revista armou (e caiu n)uma arapuca para si mesma.

Disse Cachoeira: “o Policarpo nunca vai ser nosso”. O buraco era mais em cima, como explicou o Nassif.

O esforço desavergonhado para livrar a cara do seu repórter especial, responsável por inúmeros “furos” (no sentido jornalístico e no casco do navio que agora começa a virar) nos últimos anos, chama a atenção para a trama na qual está envolvida até os calcanhares (considerando que a revista está agora com a cabeça virada para o seu próprio esgoto).

Na Inglaterra, o jornalismo associado ao crime – de escutas ilegais e obstrução de investigações da Justiça, entre outros delitos – do principal jornal de Rupert Murdoch resultou em prisões e no fechamento do veículo, que funcionava desde 1843 e era o mais lido na terra da rainha.

Aqui, a maior revista em circulação semanal tinha praticamente como “editor especial” um contraventor que operava no submundo político em todos os níveis da República.

Carlinhos Cachoeira controla(va) agentes da Polícia Federal, dirigia o mandato do senador de maior “credibilidade” do País e nomeava secretários no governo tucano de Marconi Perillo em Goiás.

Pautar e editar a Veja era a tarefa menos complicada do “empresário do jogo”.
 

A revista Veja vai para o banco dos réus

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dilma passa um sabão no Tio Sam


Saul Leblon, Carta Maior

“A participação insípida do presidente dos EUA, Barack Obama, na Cúpula das Américas foi a personificação de um divisor histórico: o império nada tem a dizer ou a propor de relevante aos povos latino-americanos. Em crise, patinando entre a tibiez de uma estratégia econômica que se compraz em mitigar a ortodoxia em casa e uma diplomacia bélica que chafurda na areia movediça de conflitos múltiplos e insolúveis, do Oriente Médio à Coréia, passando pelo embargo à Cuba e querelas com a Venezuela, o poderio ianque naturalmente não está derrotado. Mas é visível a sua exaustão. Obama personifica-a como um Tio Sam cansado da guerra.

Ainda que seja o melhor que a política norte-americana tem hoje a oferecer, convenhamos, é parcimonioso. Essa percepção de esgotamento extravazou das intervenções do democrata em Cartagena, na Colômbia. A um mosaico de nações que luta contra um legado secular de pobreza, desigualdade e truculênca nas relações com o Big Brother, e ainda assim desponta como um dos horizontes mais dinâmicos da economia mundial, Obama ofereceu a velha e gasta 'cooperação' do mascate viajante.

Instado a comentar a ascensão da classe média regional e, sobretudo, brasileira, murmurou memorizando as fichas preparadas pelo Departamento de Estado: "Uma classe média próspera e ascendente abre mercado para as nossas empresas. Aparecem novos clientes para comprar ‘Iphones', ‘Ipods, Boeings'..." "Ou Embraer!", atalhou-o a presidenta Dilma Rousseff , num aparte bem-humorado, mas também altivo e ao mesmo tempo revelador da miúda visão política autocentrada do chefe de Estado norte-americano.


Mídia faz jogo da máfia

Por Miguel do Rosário, no sítio O Cafezinho:

Peço atenção para esta notinha publicada por Ilimar Franco, um dos últimos colunistas da mídia que ainda se permite, eventualmente, um posicionamento mais independente:

A estratégia da defesa de Demóstenes: Pode ser coincidência. Mas somente depois que o escritório de advocacia que defende o senador Demóstenes Torres (GO) recebeu do STF a íntegra da investigação da Polícia Federal contra o contraventor Carlinhos Cachoeira, inclusive com os grampos telefônicos, é que começaram a vir à luz informações sobre o eventual envolvimento, com a quadrilha, de integrantes de partidos que são da base do governo Dilma. Advogados do ramo dizem que essa proliferação de dados e nomes combina com uma estratégia de inteligência que pretende colocar mais gente no moedor de carne para tentar salvar o senador cliente.
Só faria uma ressalva ao comentário de Ilimar: não é coincidência. Os grupos de comunicação que fazem oposição ideológica ao governo petista estão enredados na rede de espionagem ilegal do esquema de Carlinhos Cachoeira, numa estratégia que continuam a adotar nos últimos dias. Desta vez, com uma desfaçatez ainda maior.

A mídia, portanto, continua a serviço dos interesses da máfia comandada por Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres. Hoje, mais ainda que ontem, os jornais amanheceram repletos de ameaças. A expressão que fala em “CPI sabe-se onde começa, mas não onde termina”, voltou a ser repetida sem ao menos a preocupação estética de evitar o clichê.

O editorial do Estadão, as colunas de Dora Kramer, Merval Pereira e Eliane Cantanhede, aparecem pintados de guerra, faca entre os dentes, olhos injetados de sangue, e brandindo teorias ameaçadoras.

A Folha, por sua vez, acionou a central de intrigas, cuja maior especialidade é botar palavras na boca da presidenta. Hoje vem falando que a presidenta e o governo não estão satisfeitos. O objetivo é claro: ameaçar e reduzir o ímpeto da CPI.

Ora, como este Cafezinho já analisou, nenhuma CPI interessa ao Executivo, que é uma entidade política mas cujas responsabilidades administrativas são descomunais. Os administradores querem paz, tranquilidade, para tocar as obras e melhorar a qualidade dos serviços. Neste sentido, CPIs atrapalham sim o governo. Por isso eu disse que, desta vez, o Congresso teria que desafiar o governo para criar uma CPI. Um desafio do bem, porque ao fim das contas ajudará o Executivo, de várias maneiras:

- É uma ação concreta de combate à corrupção. Então ajuda o Executivo a reduzir o desvio de recursos públicos, que é um dos entraves mais revoltantes para o desenvolvimento nacional.

- É uma ação de cunho político fundamental, para investigar um esquema mafioso, reunindo forças econômicas, políticas e midiáticas, que atacavam sistematicamente o governo federal. Já está provado que parte da paralisia vista no governo Dilma em 2011, deveu-se aos sucessivos ataques midiáticos a seus ministérios, e que isto prejudicou a economia nacional. A presidenta, no entanto, enfrentou estas crises com muita sobriedade, sem comprar brigas, dando espaço para defesa, mas ao mesmo tempo aproveitando-se para se livrar de colaboradores eticamente suspeitos.