terça-feira, 7 de julho de 2020

"É Tempo de Cuidar": Cáritas de Paracatu faz ação emergencial contra impactos sociais da pandemia

Com o objetivo de realizar ações solidárias emergenciais que possam minimizar os impactos sociais da pandemia entre os mais pobres, a CNBB e a Cáritas Brasileira lançaram a campanha “É Tempo de cuidar”,
Em Paracatu a campanha teve início na última sexta-feira(03/07), com a distribuição de cestas básicas aos catadores de materiais recicláveis.
As cestas foram adquiridas pela Cáritas de Paracatu junto à Cooperfam (Cooperativa mista dos assentados e agricultores familiares do noroeste de Minas) e montadas com produtos da agricultura familiar do município. As cestas são compostas de arroz agroecológico colhido no assentamento Jambeiro, abóbora, mandioca, batata doce, farinha de mandioca, rapadura, feijão, carne, fubá de milho, além de macarrão, extrato de tomate, café, óleo e bolacha, milho de canjica e material de limpeza.
Os recursos para a aquisição das cestas foram captados pela Cáritas Brasileira Regional MG junto à Adveniat, uma organização católica alemã de ajuda à América Latina.
A Cáritas Diocesana de Paracatu, em parceria com as paróquias do município, ainda distribuirá outras 140 cestas básicas, também montadas com produtos da agricultura familiar.

sábado, 29 de março de 2014

O Direitista Raivoso

Paulo Nogueira - jornalista Diário do Centro do Mundo

Eu não vou cumprimentar ninguém porque estou com raiva.
Então vamos direto.
Eu sou o DIRAI. O Diretista Raivoso.
Eu tenho raiva. Eu vivo da raiva. Eu morro de raiva.
Eu sou a raiva.
Odeio pobre.
Odeio negros.
Odeio cotas.
Odeio gays.
Odeio nordestinos.
Odeio comunistas.
Odeio petralhas.
Odeio esquerdopatas.
Odeio black blocs.
Odeio Cuba e Venezuela.
Odeio mais ainda o Brasil e os brasileiros.
Odeio o lulismo, o lulopetismo, o lulodilmismo, o bolivarianismo e o chavismo.
Odeio o socialismo.
Odeio ciclistas, ativistas, feministas.
Odeio o Bolsa Família, o Mais Médicos e todas as esmolas governamentais.
Odeio essencialmente tudo.
Amo algumas coisas, no intervalo de minhas sessões de ódio.
Amo a internet, porque me permite ir a sites e xingar, incógnito, as pessoas sem consequência nenhuma.
Amo trollar no G1 e no uol.
Amo a palavra mensaleiros.
Amo o Mainardi pai e o Mainardi filho.
Amo a Scheherazade, o Reinaldo de Azevedo, o Rodrigo Constantino, e comento sempre nos blogs dos dois últimos.
Amo o Lobão, amo o Gentilli, amo o Roger do Ultrage.
Amo, ainda mais, o Olavo de Carvalho, o pai de todos estes aí em cima, e carrego seu último livro como um mórmon carrega sua bíblia.
Amo a Veja.
Amo os militares, que trouxeram ordem e progresso ao Brasil quando o comunismo ateu rondava perigosamente o país.
Amo a tradição.
Amo justiceiros e justiçamentos.
Amo os cânceres que mataram o Chávez e quase mataram o Lula e a Dilma, e tenho a esperança de que no caso destes dois últimos o serviço ainda se complete.
Amo – acima de tudo – o ódio, o ódio, o ódio.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Campanha mundial da Cáritas debate caminhos do combate à fome

Adital
Com o objetivo de diagnosticar problemas e apresentar caminhos para colaborar com a erradicação da fome no mundo, a Cáritas Internacional promove a campanha "Uma família humana, alimento para todos”. Para isso, rodas de conversa e outros ambientes de debate serão articulados em comunidades de todo o mundo a fim de compreender as atuais demandas do tema e elaborar um documento propositivo.

Ao todo, as 164 organizações membros da confederação são convidadas a participar da campanha. "É uma profunda injustiça que mais de 800 milhões de pessoas passem fome no mundo. (...) Não passariam fome se houvesse uma maior igualdade na distribuição de riqueza", destaca o presidente da Cáritas Internacional, cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga.

Brasil: debate sobre justiça social

No Brasil, o tema de campanha foi adaptado para "Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas”. Isso porque a campanha no país irá trabalhar na perspectiva da soberania alimentar e justiça social, questões relevantes para a realidade brasileira.

O método se constitui da promoção de um processo de escuta e diálogo junto a grupos comunitários e paróquias no intuito de identificar como as próprias pessoas desfavorecidas enxergam a questão da miséria no Brasil. Outro meio será fomentar o debate por meio das redes sociais da Internet.

A diretora da Cáritas Brasileira, Maria Cristina dos Anjos, afirma que são articuladas ainda parcerias com pastorais e movimentos sociais para replicar a proposta. "Já estamos em diálogo. Queremos animar a reflexão e cultivar essa mobilização para as pessoas olharem em seu entorno”, afirma.

Circulação de diagnóstico

A proposta é que a discussão se desenvolva no período de maio a outubro deste ano e, já no final de 2014, sejam apresentados os primeiros resultados da campanha. A expectativa é que um documento sistematizado com o resultado de todos esses diálogos seja lançado para toda a sociedade brasileira no primeiro semestre de 2015, encaminhado destacadamente para ampla circulação entre as instituições religiosas, públicas e privadas, o Estado e a sociedade civil organizada.

Além disso, a Cáritas Internacional deverá elaborar um Projeto de Lei sobre o direito à alimentação, que as organizações nacionais da confederação poderão incentivar cada governo a adotar. A entidade também pretende defender na Organização das Nações Unidas (ONU) sessão sobre o direito à alimentação, prevista para ocorrer em 2015 na Assembleia Geral da ONU.

A Rede Cáritas atua em 200 países, promovendo a participação cívica e a defesa em questões sociais e econômicas. Unem-se a isso ações para o desenvolvimento humano integral a partir de estratégias de desenvolvimento sustentável, abrangendo políticas climáticas, educação, capacitação e soberania alimentar.

Serviço

Doações online para o combate à fome podem ser realizadas continuamente através da Rede Permanente de Solidariedade no site da Cáritas: www.caritas.org.br/RPS. Mais informações:http://caritas.org.br/campanha-mundial.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O que têm em comum Facebook, Valesca Popozuda e Sheherazade?

RENATO ESSENFELDER

O Facebook inaugurou problemas novos na minha vida familiar. Minha filha, de dez anos, “ganhou” uma conta no site há cerca de seis meses. Fui contra. Fui voto vencido. O poderoso argumento de que “todas as amiguinhas têm” acabou prevalecendo.
Acontece que todas as amiguinhas estavam erradas. A internet potencializou pequenas rixas. Discussões que ao vivo duravam o voo de uma borboleta passaram a se cristalizar na tela, perenes. As meninas, ao vivo tão meigas, começaram a mostrar os dentes.
Já é difícil reconhecer meus próprios amigos – senhores responsáveis, casados, ponderados – por seus comentários nos redemoinhos da rede. Conheço-os bem e, graças a Deus, conheci-os antes da internet. Não tenho dúvidas sobre seu bom caráter, sua civilidade e disposição para o bem. Mas periga que quem olhe de relance um ou outro post isolado no maremoto virtual os considere extremistas, intolerantes, agressivos.
A internet parece extrair o pior de nós, muitas vezes, e as crianças, sempre tão sinceras, são ainda mais suscetíveis a exageros. O exemplo mais conhecido é o da área de comentários dos sites noticiosos. Faça o teste. Acesse uma notícia sobre tema polêmico – aborto, fé, consumo de drogas, violência urbana, sexualidade – e vá direto ao rodapé da página. Alguns comentários são de fazer perder a fé na humanidade.
Não sei o que se passa com pessoas que, na vida “real” (material ou física) são cordatas e aparentemente tolerantes e, na internet, disseminam o ódio. O extremismo está no ar. Outro dia, fiz um comentário sobre a superprodução “Beijinho no Ombro”, da funkeira Valesca Popozuda. Uma brincadeira sobre o raio-x antropológico que se podia extrair de versos como “Bateu de frente é só tiro, porrada e bomba / Aqui dois papos não se cria e nem faz história”. Nos comentários, o tom subiu: “não perca tempo com esse lixo”. “Música de pobre.” “Deveriam proibir essa ridícula de abrir a boca.” Atirada a primeira pedra, todos querem quebrar vidraças.
Fiquei incomodado. Meu comentário acabou, de certa maneira, cumprindo-se como uma maldição. Há, sim, um extrato cultural importante a analisar nesse megassucesso que prega a humilhação dos inimigos e a violência. Mas o que dizer dos que pregam a violência para calar a violência? Há justiceiros no mundo físico, prendendo pessoas a postes, e no mundo virtual, aplicando mordaças.
É isto afinal que têm em comum Valesca Popozuda, raivosos comentaristas-de-facebook, justiceiros e figuras como Rachel Sheherazade, a jornalista que defende a “legítima defesa coletiva”: o discurso da violência. A violência simbólica de um discurso que prega a intolerância, a discriminação, a coerção e o deboche.
Os adeptos dessa violência, tão comum nos fóruns da internet, segregam o espaço social entre grupos que consideram legítimos – “cidadãos de bem” (aqueles que concordam comigo) – e grupos marginalizados – os “cidadãos de mal”, dissonantes. Quem é apenas cidadão não tem espaço nessa história infantil e simplista.
Na era da internet, todos temos grande facilidade de veicular nossas opiniões sobre tudo. Mas isso não é necessariamente bom. Expressa sem ponderação nem responsabilidade, a opinião ligeira municia o preconceito. Há razões para que não possamos invocar a liberdade de expressão para propagandear ideário nazista, racista, terrorista.
Temos de ser melhores do que isso.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O reacionário está na moda

Marcelo Semer

Não foi surpresa que logo após o comentário em que deu status de legítima defesa a justiceiros, a jornalista Rachel Sheherazade tenha tido a oportunidade de escrever artigo no espaço mais nobre de um grande jornal.
 
Foi vociferando a altos brados, contra todas as formas de ‘esquerdismo’, sem sutilezas nem decoros, que Reinaldo Azevedo ganhou o status de colunista nesse mesmo diário. 
 
Lobão foi guindado a uma revista semanal depois que minimizou a tortura dos anos de chumbo, desprezando quem se disse vítima por ter tido “umas unhazinhas arrancadas”. 
 
Diogo Mainardi pulou da revista para a TV a cabo, apelidando semanalmente o presidente de anta.
 
Até humoristas que se orgulham de ser politicamente incorretos, sobretudo com o mais vulnerável, vêm emplacando programas próprios na telinha.
 
Se alguém ainda tinha dúvidas, elas estão sendo dissipadas: o reacionário está definitivamente na moda.
 
Não há veículo da grande imprensa que não tenha hoje um ou mais comentaristas dispostos a tirar o espectador da ‘zona de conforto’, e destilar o mais profundo catastrofismo, enquanto estimulam a ira e desprezam a dignidade humana em nome de uma hipotética Constituição de um único artigo: a liberdade de expressão absoluta.
 
Tamanha reação do conservadorismo extremo, pelos novos ícones da classe média, poderia indicar que, de alguma forma, o país anda no caminho certo. 
 
Nenhuma redução de desigualdade, seja ela econômica, social, racial, de gênero ou orientação sexual, passa incólume à reação. Tradição e privilégios jamais se rendem sem resistência.
 
Mas há dois componentes neste jogo que complicam a equação e nos aproximam da intolerância.
 
Primeiro, o fato de que o catastrofismo sem limites, o derrotismo por princípio e o esforço de detonar o Estado de todas as formas e sob todas as forças, produz uma inequívoca sensação de que estamos sempre à beira do abismo. Mesmo quando evoluímos.
 
A estabilidade política é desprezada, sufocada pela ideia que resume toda política em corrupção –mas que, inexplicavelmente, considera o corruptor apenas uma vítima do sistema que patrocina.
 
Todo mal reside nos políticos, nos partidos, enfim no Estado –nunca no mercado ou nos mercadores.
 
A maior autonomia dos órgãos de investigação e a independência dos operadores do direito, somadas ao fim da censura, têm ligação direta com esse mal-estar da liberdade: a democracia não é pior porque produz mais monstros, apenas mais incômoda porque é impossível escondê-los.
 
O derrotismo desproporcional, que remete toda e qualquer política à vala comum, acaba por conferir a violência foros de alternativa.
 
A criminalização da política é, assim, uma poderosa vitamina da intolerância. E seus responsáveis são justamente aqueles que mais bradam contra a violência que ao mesmo tempo estimulam.
 
Mas não é só.
 
A política também tem perdido seu prestígio por estar sendo sepultada pelo fator eleitoral. 
 
O pragmatismo sem freios destroça ideologias, pensamentos e valores e é um consistente obstáculo ao avanço civilizatório. Quando o poder é mais relevante que a política, os fins sempre servem para justificar meios.
 
A rendição à pauta religiosa, de governos e oposições, é um sintomático reflexo desse excesso de pragmatismo que comprime o espaço republicano.
 
A submissão rala à pauta punitiva, que ameaça inserir o país na lógica de um Estado policial, é outro indício. Como o instrumento penal é sempre seletivo, mais repressão significará mais desigualdade. 
 
Esvaziar a política nunca é uma tarefa prudente, menos ainda quando o canto da sereia do reacionarismo está cada vez mais afinado.  
 
Há 50 anos, nossa democracia foi estuprada por militares que deram um golpe, civis que o financiaram e reacionários que o justificaram, inclusive e fortemente na imprensa. 
 
Que a efeméride, ao menos, nos mantenha vigilantes.
 
 
Mais do blogueiro no Sem Juízo ou pelo Twitter @marcelo_semer

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A nova cara da direita

Desde o fim da ditadura, a direita, envergonhada, vinha se escondendo em guetos de onde disparava seus ataques sem, no entanto, nenhuma exposição que pudesse identificá-los como militantes conservadores. Poucos animavam se assumir como direita.

No entanto, a explosão das redes sociais, com a possibilidade de exercitar sua militância no conforto da poltrona da sua sala, animaram os reacionários, que espalham suas ideias pela rede com rapidez e eficiência.

Alguns ícones do reacionarismo midiático como Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, William Waak, Míriam Leitão, Arnaldo Jabor, Eliane Cantanhede, um tal Luiz Carlos Prates e até a insossa Rachel Sheherazade, se transformaram em verdadeiros ídolos dos neo reacionários. Servem de inspiração e fonte para os ataques a qualquer iniciativa que possa significar algum avanço social, cultural e humano.

Recentemente, a “jovem” apresentadora do SBT, Raquel Sheherazade, chegou a conceder uma entrevista com elogios às propostas de Marcos Feliciano e as posições de Reinaldo Azevedo (a quem chamou de fofo) além de se assumir como de direita. Seus comentários, pobres de conteúdo, ricos de preconceito e visceralmente reacionários servem de combustível para alguns fundamentalistas religiosos, recalcados políticos e hipócritas travestidos de revoltados, que exibem uma indignação seletiva e visivelmente parcial.

No manual dessa gente estão algumas agressões às conquistas sociais dos últimos anos, o racismo, a homofobia e o ódio, ingredientes que vão engrossando o caldo de uma onda fascista nas redes sociais.

Como todo discípulo de Goebbels, a âncora do SBT, seus colegas de imprensa e seguidores usam a mentira como principal arma no jogo político.

Com a proximidade da Copa do Mundo, estes arautos do falso moralismo se mobilizarão ainda mais, na perspectiva que um fracasso retumbante do evento possa significar o fim do ciclo de avanços sociais.

Não terão o menor pudor em marcar gols contra, mesmo que isso possa representar um significativo prejuízo para a imagem do país. Ignoram o evidente saldo positivo que a Copa está trazendo e trará ao Brasil, com a geração de empregos, as obras de mobilidade urbana, a atração de turistas estrangeiros e o consequente aumento na arrecadação de impostos, que poderão ser reinvestidos nas principais demandas populares.

Formando um contraponto a esse movimento conservador, alguns blogueiros progressistas transformaram a defesa dos avanços alcançados nos últimos anos em uma bandeira de luta. Liderados por jornalistas como Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Eduardo Guimarães, Nogueira Jr. Paulo Moreira Leite, Mino Carta, Altamiro Borges e intelectuais como Emir Sader e Leonardo Boff, construíram uma verdadeira trincheira no combate a enorme onda conservadora que se formou nas redes sociais.

Mas a esquerda militante das ruas ainda não descobriu a importância de ocupar as redes sociais e não se manifestam com a mesma intensidade dos reacionários.


O risco é que a onda provocada pelo extremismo de direita continue se propagando, vire um tsunami e comprometa as duras conquistas dos últimos anos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Por que o beijo gay deve ser comemorado


Fabiano Amorim,  Diário do Centro do Mundo

Ontem foi um dia histórico. A Rede Globo, após tantos anos exibindo relacionamentos gays em suas novelas sem nunca mostrar um beijo explícito, finalmente exibiu a primeira cena de beijo entre dois homens.

A comemoração pelo país foi enorme.

No mesmo instante as redes sociais ferveram com fotos tiradas de aparelhos de TV, com o registro desse momento. Uma euforia tomou conta de muitos gays e héteros. Foi algo semelhante ao que sente um torcedor apaixonado quando seu time de futebol vence um campeonato.

Por que algo tão simples gera toda essa emoção em tantas pessoas?
É porque elas perceberam que foi vencida mais uma batalha da longa guerra contra o preconceito. Quando a maior rede de televisão finalmente mostra um beijo gay numanovela, isso significa que a aceitação aos homossexuais avançou um pouco mais.

Muitos estão dizendo: “Essa cena não vai fazer os gays serem menos discriminados nas ruas. Não vai mudar nada!”

Discordo.

Pequenos atos como esses são simbólicos. Quando vistos por milhões de pessoas ao mesmo tempo, várias delas passam a refletir sobre o assunto.

 Talvez passem a ver um relacionamento gay com outros olhos.

Durante a minha infância e adolescência, sempre que ouvia falar em gays, era no pior sentido possível. A palavra “gay” era um grande xingamento e ainda é para muitos.

Quando se tinha raiva de alguém, a palavra gay logo saía da boca como forma de atacar o cara de quem não se gostava. O repúdio a essas pessoas era total, sendo tolerados apenas na condição de bobos da corte, para rirmos deles.

Hoje claramente se nota uma mudança. Vemos alguém famoso fazendo uma declaração preconceituosa contra gays e recebendo uma avalanche de críticas de todos os lados, incluídos héteros. É maravilhoso que não seja mais tão bem aceito falar mal deles.

Alguns que criticam constantemente a Globo se irritaram com a empolgação sentida com a tão esperada cena do beijo, por pensarem que a exibição dessa cena só vai beneficiar a própria Globo, deixando-a mais forte.

Creio que isso não seja um motivo para o desânimo. Pior seria se o conservadorismo tivesse vencido mais essa batalha. A Globo  vai continuar sendo poderosa por muito tempo. Melhor que cresça através de atos positivos do que através de moralismos exagerados.

A luta da comunidade LGBT é a de muitas pessoas que sonham em serem tratadas da mesma forma que quaisquer héteros nos dias de hoje. É a luta de um grupo que não aguenta mais ter de esconder o que sente, o que pensa e o que faz.

Eles querem ter o direito de dar as mãos na rua, de se beijarem e se abraçarem, como qualquer outro casal, sem que sejam agredidos física ou verbalmente. Para quem vive tamanha opressão, qualquer passo na direção de uma maior aceitação ou tolerância da sociedade é de fundamental importância e será comemorado com a maior euforia.

O beijo entre Niko e Félix na novela das nove não é algo que deva ser enxergado como uma “vitória da Globo”. É principalmente uma vitória de todos na sociedade que lutam contra o preconceito."

Cáritas Diocesana de Paracatu lança edital para contratação de técnicos


A Cáritas de Paracatu lançou nesta sexta-feira (31/11), edital para contratação de técnicos de nível médio, com formação em técnicas agropecuárias ou agrícolas. O profissional vai trabalhar na equipe de ATES – Assessoria Técnica, Social e Ambiental em Unaí.

A entidade já vem desenvolvendo o projeto financiado pelo INCRA  no município de Unaí. A assistência técnica alcança 10 projetos de assentamento e já trouxe benefícios para mais de 500 famílias.

Serão contratados três técnicos com salário mensal de R$ 1.962,00, além de um seguro de vida. A jornada de trabalho é de 40 horas semanais.

Os interessados deverão acessar o edital na página da organização no facebook e enviar o currículo até o dia 09 de fevereiro. O endereço da Cáritas é rua do Ávila nr. 201 e o telefone é 38-36714421

https://www.facebook.com/caritasparacatu?ref=hl


Em Paracatu, mais de 300 famílias poderão ser beneficiadas pelo PNHR – Programa Nacional de Habitação Rural



O Programa Nacional de Habitação Rural – PNHR, integra o Programa Minha Casa Minha Vida e busca garantir subsídio financeiro para produção de moradia aos agricultores familiares e trabalhadores rurais com renda familiar anual de até R$ 60.000,00. Até o final do ano passado, quase 100.000 famílias no Brasil já haviam sido beneficiadas pelo programa.
O maior subsídio é concedido para as famílias do Grupo I, aqueles com renda familiar anual de até R$ 15.000,00. Do valor de R$28.500,00 (vinte e oito mil e quinhentos reais), disponível para produção das unidades habitacionais, o governo subsidia R$27.360,00, ou seja, o beneficiário paga apenas R$1.140,00 em 04 parcelas de R$285,00 (duzentos e oitenta e quatro reais) por ano.

Criado em 2009 pelo Presidente Lula, o Programa chegou a Paracatu em 2013 através da entidade organizadora Agência de Desenvolvimento Vale do Rio Paracatu, que a título de experiência está construindo 10 unidades habitacionais na região do Nolasco e já conta com mais de 322 famílias cadastradas para serem beneficiadas em diversas regiões rurais do município. Através da Vale do Paracatu, o programa está sendo ampliado para os municípios de Vazante, Riachinho e em conversa inicial em Bonfinópolis de Minas.

Segundo o produtor Lourival de Souza Oliveira, o programa melhora as condições de vida da família: “tem 35 anos que recebemos a terra como herança de minha sogra e ainda não tivemos condições de construir uma casa nova e o Programa vem para trazer conforto para a família”.


A atuação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal no programa reforça ainda a importância dos bancos públicos na execução das políticas públicas que estão reduzindo a desigualdade e promovendo mais justiça social no país.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Marina e Eduardo Campos: a mistura de água e óleo


No final do ano passado a união dos dois ex-ministros do governo Lula gerou grande impacto no cenário político, prometendo mudar radicalmente o  quadro eleitoral.

Marina e Eduardo Campos sempre foram fiéis aliados de Lula, participaram e defenderam o governo nos momentos mais difíceis, inclusive no período do mensalão. Buscaram se credenciar para dar continuidade ao projeto iniciado pelo ex presidente, mas foram preteridos. Nenhum dos dois nunca ousaram criticar Lula, mas passaram a ser críticos do governo Dilma em momentos diferentes. Primeiro a Marina, que já vinha enfrentando duros embates com Dilma quando ainda eram colegas de ministério. Quando Lula escolheu Dilma para sucedê-lo, Marina preferiu buscar um caminho próprio. Eduardo Campos, por sua vez, apoiou a eleição de Dilma, mas sentindo que a promessa de apoio para 2018 não era consistente, preferiu também alçar voo próprio.

Com a tentativa frustrada de registrar o partido Marina viu na aliança com Campos a oportunidade de se manter como um dos principais atores na eleição. Campos viu na aliança com Marina a oportunidade de alavancar seu nome, surfando na boa popularidade da ex ministra.

Parecia um casamento perfeito, capaz de ameaçar a polarização PT-PSDB. Acontece que muitas vezes só se conhece realmente o parceiro depois do casamento. E é aí que a “porca torce o rabo”.

Marina e Eduardo Campos têm estilos e valores muito diferentes. Enquanto Marina prega e deseja uma “nova política”, uma maneira mais programática de estabelecer alianças e um discurso mais preservacionista que a afasta do agronegócio, o Eduardo Campos tem o mesmo pragmatismo que sempre marcou a política nacional. Eduardo Campos governou Pernambuco na base do toma lá dá cá, repetindo velhas práticas e vícios. Já vinha negociando com representantes do agronegócio, particularmente com setores da velha UDR e estava prestes a fechar alianças estaduais com forças reacionárias, explicitamente repudiadas por Marina e sua Rede.

O coerente veto de Marina a aliança já acertada do PSB com Alckmin em São Paulo parecia ser a última trombada entre a Rede e o partido do governador de Pernambuco. Prevalecendo esse veto, os “socialistas” esperavam que Marina já anunciasse a composição como vice na chapa de Campos e que as brigas “conjugais” tivessem um fim. Ocorre que agora, a Rede decidiu peitar também a aliança do PSB com o PSDB em Minas. Num esforço para tentar manter a coerência, a Rede divulgou nota afirmando a importância de acabar com o ciclo tucano tucano em Minas. Esse posicionamento da Rede pode reacender o pavio de uma relação que vem se desgastando rapidamente, pois o PSB dificilmente abrirá mão das tetas mineiras em nome da coerência. 

Embora Campos esteja caminhando a passos mais largos em direção aos tucanos do que em direção a Marina, é certo que os dois estão condenados a levar esse conturbado casamento até as eleições. Não há como nenhum dos dois voltar atrás. Dificilmente Marina encontrará uma maneira de não aceitar o posto de candidata a vice na chapa de Campos. Mas até que ponto essas graves e explícitas divergências dificultarão a decolagem do pernambucano? Eles conseguirão aparar suficientemente as arestas para se apresentarem como alternativa confiável ao país?

Por enquanto os dois mais parecem água e óleo, com visões e concepções completamente antagônicas e contraditórias. Ninguém até hoje conseguiu misturar essas duas substâncias, será que a política conseguirá essa proeza?