terça-feira, 22 de maio de 2012

Paracatu e a Kinross: um silêncio que preocupa

Durante alguns meses, uma inédita mobilização popular tomou conta de Paracatu. Os moradores próximos à mina da Kinross se organizaram e levantaram uma discussão que levou a cidade a refletir sobre os impactos da mineração para o meio ambiente e para a população.

Algumas lideranças comunitárias, políticos e imprensa local, demonstraram disposição de colocar o dedo em uma ferida que insiste em permanecer aberta.  Denunciou-se a poeira, a contaminação da água e do ar, as explosões na mina que danificam imóveis, a cumplicidade do poder público local, a arrogância da empresa, o descaso com a cidade. Tudo isso, alimentou a esperança de que alguma coisa aconteceria.

Pois bem, o tempo passou, as mobilizações arrefeceram, as lideranças silenciaram e tudo continuou do mesmo jeito.

Nem mesmo uma carta de um jornalista que morou em Paracatu, relatando possível contaminação pelo arsênio (leia aqui), foi capaz de reacender o debate.
Restou então uma pergunta: o que aconteceu para uma mudança de postura tão drástica por parte das lideranças que estavam à frente da mobilização?

Conversei com um deles neste final de semana e ouvi que houve alguns avanços como cortina verde e outras balelas de sempre. Mas não vi nenhuma disposição para continuar o enfrentamento do problema.

A preocupação só aumentou, pois percebi que o que mais interessa à população não está mais em pauta. As respostas sobre os impactos da atividade mineradora sobre a saúde da população não devem chegar tão cedo.

Enquanto isso, outro inverno está se aproximando. E com ele o agravamento dos problemas respiratórios provocados pelo clima e pela poeira.
Ao mesmo tempo, o silencio cúmplice e oportunista que já era compartilhado pela poder público e algumas organizações, ganhou reforços.

Um silêncio que preocupa, pois envolve lideranças políticas, comunitárias, e até gente que se diz ambientalista (????).

 Que venha o inverno com seus problemas, mas que ainda possamos esperar que um dia, uma primavera possa trazer mais que respostas. Possa trazer soluções, antes que seja tarde demais.

Zé Geraldo

8 comentários:

  1. É isso ai Zé Geraldo!... Vamos cutucar a moçada!... O que mais me impressiona é o silêncio a Prefeitura com o levantamento epidemiológico para verificação do índice de contaminação. Agora vc imagina bem, se com o jornalista citado houve contaminação com o pouco tempo que ele ficou na cidade, como ficamos nós com tanto tempo de estrada?!1.....

    ResponderExcluir
  2. Estamos á mercer das desgraças e ninguem toma nenhuma providência para melhorar á saúde do Paracatuense.Exigir pelo menos um hospital com todos os aparelhos nessesário para os medicos fazerem diagnosticos de doenças provinientes da mineração que existe em paracatu e (É UMA REALIDADE).Cianureto, Arsenico e outroas mazelas mais!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hora de eleição, vamos exigir cobranças dos candidatos para com a kinross, vamos ver quem vai propor alguma saida a esses poblemas que acontecem com a população e ninguem politicamente correto toma alguma providência é uma pena o que acontece em paracatu cidade de muinta importância para minas gerais. Atenas mineira!

      Excluir
    2. Geral do zé é muinto gradificante, Parabéns zé geraldo enxadrista do bom!

      Excluir
  3. Estamos á mercê das doenças provocadas pela mineração e ninguem toma uma providência séria contra essas mazelas,por exemplo exigir da mineração equipamentos que facilitam os médicos a fazerem diagnosticos de doênças que atacam á população de paracatu devido á mineração.Já seria um vitoria para a saúde do povo!

    ResponderExcluir
  4. Estou de acordo com vc, devemos de uma vez por todas esclarecer se a Kinross e sua mina é de fato prejudicial ou não a cidade. Sem sentimentalismos baratos ou política. Contratar uma empresa que possa dizer à cidade o que de fato está acontecendo com a mesma em relação à poluição causada e se os problemas com os cidadãos paracatuenses relacionados ao aumento do número de câncer na cidade e também problemas com relacionados a tumores no cérebro são oriundos da empresa, se sim o que pode ser feito para acabar com tais malefícios..

    ResponderExcluir
  5. Sergio Ulhoa Dani25 de maio de 2012 02:50

    Prezado José Geraldo,
    mobilizacoes fazem parte da vida de uma democracia direta, mas nao sao o canal para resolver problemas. Numa democracia representativa, a arte do solúvel consiste em cobrir chao usando os canais administrativos e legais, os "representantes" do desejo do povo. Existe um pedido administrativo feito junto à Prefeitura de Paracatu e uma Acao Civil Pública movida na Comarca de Paracatu contra a Kinross e a Prefeitura. Os cidadaos podem e devem cobrar das autoridades competentes uma solucao para esses pedidos. Nao adianta cobrar nada dessa empresa genocida. Cobrem do Prefeito, do Deputado, do Vereador, do Procurador Público, do Juiz, do Governador, do médico, do cientista. E nao se esqueca: pelo ordenamento jurídico brasileiro,"cidadao exerce a cidadania diretamente ou através dos seus representantes". Para informacoes científicas e jurídicas de boa qualidade sobre o genocídio cometido pela Kinross em Paracatu, com a complacência do povo, consulte www.alertaparacatu.blogspot.com e www.sosarsenic.blogspot.com.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sergio Ulhôa Dani, voçê tá fazendo falta neste momento em que vamos escolher os nossos representantes em paracatu, agora é hora de cobrança por parte da população de paracatu para com á Kinross, queria ver qual dos politicos que vai cobrar e ajudar á cobrar da mineração mais cuidado com a saúde da população. Um abraço!
      Jesus filho de Davi tem piedade de nós!

      Excluir